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Fórum Nacional de Desenvolvimento debate planejamento para 2026 e temas estratégicos do mercado imobiliário

Encontro na sede do ONR, em São Paulo, reuniu entidades do setor para estruturar grande evento em 2026, criar grupos de trabalho permanentes e tratar com prudência temas como incorporação 100% digital e tokenização imobiliária

O Fórum Nacional de Desenvolvimento Imobiliário (FNDI) realizou, na última quarta-feira (12.11), reunião presencial no escritório do Operador Nacional do Sistema de Registro Eletrônico de Imóveis (ONR), em São Paulo, para debater as ações da entidade para o ano de 2026, que envolveram a realização de um grande evento voltado para o mercado imobiliário e a criação de grupos de trabalho legislativo e de incorporação digital e o tema da tokenização imobiliária

O encontro reuniu representantes da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (ABRAINC), da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (ABECIP), do Registro de Imóveis do Brasil (RIB) e do Instituto de Registro Imobiliário do Brasil (IRIB). Logo na abertura, o presidente do ONR, Juan Pablo Correa Gossweiler, destacou o caráter permanente do encontro: “O Fórum se reúne mensalmente, de forma presencial, com a participação de importantes players do mercado imobiliário. Todos aqui estão com o mesmo intuito, que é desenvolver o mercado imobiliário brasileiro.”

Um dos principais pontos da pauta foi o planejamento de um grande encontro previsto para março de 2026, pensado como momento de aproximação direta com as bases de todas as entidades participantes. De acordo com Aristóteles Passos Costa Neto, vice-presidente da CBIC, a proposta é dar visibilidade ao trabalho que vem sendo conduzido de forma conjunta. “Estamos construindo um Fórum amplo, que envolve os associados de todas as entidades. Esse encontro de 2026 pretende apresentar, de maneira organizada, tudo o que já foi desenvolvido e o que está em andamento, com foco em fortalecer a atuação do setor”, afirmou.

Ao comentar o andamento da reunião, Cícero Araújo, vice-presidente de Relações Institucionais e Governamentais da ABRAINC, ressaltou o ambiente de cooperação que marca o FNDI. “Passamos mais um dia muito importante dentro do Fórum, avaliando medidas e alternativas para o mercado”, observou. Para ele, a composição plural do colegiado é um diferencial estratégico. “Todo o espectro que acompanha o mercado imobiliário está aqui, com uma visão muito atenta à necessidade real do setor. A partir desse espaço, vamos conversar com autoridades, com o Congresso e com o Judiciário para levar as pautas que são mais importantes para nós.”

A dimensão regulatória ganhou contornos mais definidos com o anúncio da criação de um Grupo de Trabalho de Legislação (GT Legis), que passa a funcionar como frente permanente de análise técnica das propostas em tramitação em Brasília. Felipe Pontual, diretor executivo da ABECIP, resumiu o papel do novo grupo. “Um dos pontos mais interessantes de hoje foi a criação do GT de Legislação, que vai tratar de temas que influenciam diretamente a competitividade do setor, a praticidade do dia a dia e a capacidade de prestar um serviço de qualidade ao consumidor.” Na visão de Cícero Araújo, esse eixo legislativo é decisivo para o futuro do mercado. “A questão legislativa é uma das mais impactantes. Ter, dentro do Fórum, todos os atores que olham o mercado imobiliário permite construir uma posição técnica consistente para dialogar com o Poder Público.”

A agenda tecnológica também esteve no centro das discussões, com foco na incorporação imobiliária 100% digital. Juan Pablo Correa Gossweiler explicou que a iniciativa busca dar fluidez ao procedimento de registro sem abrir mão da segurança jurídica. “A incorporação 100% digital busca dinamizar o procedimento. Os documentos passam a ser enviados digitalmente por meio do ONR e chegam ao registrador acompanhados de um arquivo em dados estruturados, em XML, que permite aos sistemas dos cartórios lerem essas informações e gerar automaticamente os atos registrais pertinentes”, detalhou, enfatizando que todo o fluxo permanece submetido à qualificação do registrador de imóveis.

No bloco final da reunião, o FNDI aprofundou o debate sobre tokenização imobiliária, tema que vem ganhando espaço no discurso de inovação, mas que as entidades tratam com cautela. Aristóteles Passos Costa Neto, vice-presidente da CBIC, sintetizou a percepção atual do grupo. “A tokenização é uma ferramenta que precisa ser melhor avaliada quanto à sua utilização no mercado. Ainda é necessário entender em que medida ela se encaixa na realidade dos empreendimentos e na rotina de quem opera o dia a dia do setor.”

Felipe Pontual reforçou a avaliação de que se trata de um assunto que exige análise aprofundada. “É um tema muito interessante, mas bastante complexo, porque dialoga com o coração do Sistema de Registro de Imóveis e do próprio Direito de Propriedade, que têm características muito específicas”, afirmou. Ele lembrou que a estrutura jurídica do país está ancorada na matrícula imobiliária. “O Direito de Propriedade e toda a nossa legislação estão assentados no que está na matrícula. Tokenizar essa matrícula não é algo trivial. Na prática, significa tratar da transição da propriedade entre pessoas, caso a caso, o que demanda uma análise cuidadosa em cada situação concreta”, completou. “Neste momento, o caminho é fazer uma avaliação restrita e responsável dessa ferramenta, sem antecipar conclusões”, acrescentou o vice-presidente da CBIC.

A partir dessa articulação, as entidades buscam alinhar inovação tecnológica, segurança jurídica e diálogo institucional em torno de uma agenda comum para o desenvolvimento sustentável do mercado imobiliário brasileiro.

Por Luana Lopes

Assessoria de Comunicação do ONR 

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